A Quaresma e a Semana Santa em Boa Saúde

Na quaresma (período compreendido entre a quarta feira de cinzas e o domingo de ramos), em Boa Saúde, duas vezes por semana era rezada a Via-Sacra, ato religioso que representa o sacrifício de Jesus, desde o calvário até a morte e ressurreição.
Amor acendendo velas no altar da igreja em Córrego
A Semana Santa era comemorada com muito respeito e algumas superstições. Começando com o “domingo de ramos”, como ainda hoje, as pessoas levavam ramos para serem benzidos na missa e depois guardados durante todo o ano para servirem como proteção, principalmente, nos casos de tempestades. Na “quarta feira de trevas”, não se devia varrer a casa, não se devia comer doce, não se devia tomar banho, nem pentear os cabelos, pelo temor de receber o castigo de ficar entrevado.

Na quinta e sexta-feira santa, faziam-se, com mais fervor, penitências e jejum. O peixe, nesses dias, era o alimento obrigatório, diferente dos dias de hoje, que continua sendo prescrito pela igreja, apenas, para a sexta-feira. Era um costume do passado, a troca de alimentos entre as famílias mais abastadas e a doação de esmolas, por parte destas, às mais pobres.

No sábado de aleluia, depois da meia noite, era uma tradição o roubo de galinhas, que eram torradas e comidas na madrugada, no ritual do “rompimento da aleluia”, com a malhação de Judas, um boneco do tamanho de uma pessoa, feito com roupas usadas, e enchimento de palha ou rama de melão de “São Caetano” e a cabeça improvisada com um cabaço. O judas era carregado pelas ruas, apedrejado e queimado, vingando-se assim do discípulo traidor de Cristo.

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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.

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