O Artesanato de Boa Saúde

Atualmente, o artesanato é produzido mais como artigo de decoração e suvenir, enquanto no passado era voltado, quase com exclusividade, para atender às necessidades do consumo doméstico.
Em Boa Saúde, no início do povoamento, o Senhor Antônio Badamero produzia móveis rústicos, tais como: cama de couro e madeira, mesas, bancos e tamboretes. Mais recentemente, o Senhor Manoel Matias fabricava vários tipos de móveis e objetos de madeira. O atual andor da procissão de Nossa Senhora da Saúde é uma das peças de madeira produzidas por ele.

Do barro de louça ou argila faziam-se uma variedade de vasilhas de utilidade doméstica, principalmente na cozinha: panelas, caco de torrar café, cuscuseira, caco de fazer tapioca, alguidar, potes, tinas, jarras e muitos outros objetos.

À arte de trabalhar o barro de louça dedicavam-se, geralmente, as mulheres e sempre passava de mãe para filha. As principais louceiras de Boa Saúde foram Belina e Chiquinha Louceira.

A argila era, como ainda hoje, muito utilizada para fazer tijolos e telhas para a construção. As pessoas costumavam fazer “arrelia” (se reunir), para “bater” e queimar tijolos e, também, para os trabalhos de construção de suas casas, trocando dias de “serviço”.

Além das vasilhas de barro, outras eram feitas de cabaço: cuias de variados tamanhos, cumbuca e o próprio cabaço para conduzir água para o roçado.

Da palha da carnaúba eram produzidos chapéus, esteiras, sacas, vassouras, espanadores, abanos e outros artigos que eram vendidos nas feiras. Usavam-se as esteiras para forrar os paióis de farinha, para servir de cama ou mesa, quando colocadas no chão com estas finalidades.

A arte dos ferreiros era, também, de grande utilidade para as comunidades do interior. Em Boa Saúde, o senhor Severino Justino de Oliveira, que por conta do seu ofício era chamado de Severino Foguista, em sua oficina produzia: escarinhador e enxada de campinadeira, esporas, peças para arreio, estribo, marcas de ferrar gado, armadores de rede, alavancas e outros objetos. Além de produzir, ainda “apontava” ou afiava os instrumentos de trabalho, quando gastos, deixando-os prontos para serem usados novamente. Outro ferreiro que prestou muito serviço à comunidade foi Abílio Ferreira da Silva, que quase não trabalha mais por falta de encomenda. Os produtos industrializados substituíram o que era produzido artesanalmente pelos ferreiros.

Outro artesanato que está desaparecendo é a renda de almofada, um trabalho que passava de mãe para filha e que ainda existe em Boa Saúde, graças à persistência e dedicação de pessoas como a senhora Maria Nair de Moura. Mais conhecida como Maria Afonso, aos 89 anos, ela não deixa a sua almofada de bilros por nada.



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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.

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