Neste sábado Maria Rizonaide ergue 73kg e inaugura o quadro de medalhas do país em Toronto. Natural de Córrego de São Mateus e mais conhecida por Taynara pelos daqui, ela conquistou hoje o primeiro ouro e fez homenagem ao pai, Batista, que faleceu recentemente.
Rizonaide posa com sua medalha no Parapan de Toronto
A primeira vitória do Brasil em Toronto foi tão brilhante quanto possível. Com maquiagem purpurinada, os olhos cheios d’água e um ouro no peito, Maria Rizonaide inaugurou a contagem de medalhas do país nos Jogos Parapan-Americanos. Neste sábado, na categoria até 50kg do levantamento de peso, a brasileira de 1,29m de altura ergueu 73kg e cumpriu uma promessa feita ao pai, falecido há 20 dias, ao subir no lugar mais alto do pódio.

A colombiana Nohemi Carabali (67kg) e a mexicana Padill Rodriguez (65kg) ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Rizonaide, que pelos amigos também é chamada de Tainá, encarou dias de muita ansiedade até a competição. Seu pai, João Batista, enfrentava um câncer de próstata e estava muito debilitado. Apesar da vontade de estrear em um Parapan e da perspectiva de brigar por medalhas, a atleta chegou a cogitar abandonar temporariamente o esporte para acompanha-lo no hospital. Ele a fez mudar de ideia.

"Há 20 dias perdi meu querido pai, então essa medalha é em homenagem a ele. Ele me apoiava muito, me acompanhava... Eu pensei em desistir do esporte para cuidar dele, e ele falou para eu não fazer isso. Falou para eu vencer, que quando eu voltasse ele estaria ali. Fui para a semana de treinamento, quando voltei, ele já estava muito debilitado, falava pouco, mas dizia para eu seguir minha carreira, que eu conseguiria. Eu falei que ia fazer isso por ele. Dia 22 ele faleceu. Foi muito difícil para mim estar aqui" – disse, emocionada. 

Rizonaide ganhou o primeiro ouro do 
Brasil
Maria começou com o peso de partida mais alto entre as seis concorrentes em sua categoria. Na primeira tentativa, teve sucesso e aprovação das três árbitras ao erguer 71kg. Na segunda rodada, aumentou o peso em dois quilos, mas a marca não foi validada por duas árbitras. Mesmo assim, a potiguar manteve a liderança. Ela repetiu a tentativa em 73kg e, desta vez, teve sucesso.

Levantou comemorando, socando o ar, dividida entre o sorriso largo e as lágrimas. Abraçou a comissão técnica brasileira e bradou sua vitória. Estava tão animada ao dar entrevista, falando alto, que a organização do evento pediu que ela se contivesse pois atletas de outra categoria ainda estava competindo e precisavam de silêncio. Mesmo em voz baixa, a alegria em suas palavras era contagiante.

"Estou muito feliz por estar representando o Brasil. Eu estava muito nervosa, mas dei o sangue, dei minha vida pelo Brasil, que merece isso. Só tenho que agradecer por todas as oportunidades que eu tive até esse meu primeiro Parapan. Se Deus quiser vai ter mais".

Fonte: G1

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