A Agricultura em Boa Saúde

Cultivo de mandioca em Boa Saúde
Como em todo o Agreste Potiguar, em Boa Saúde, ainda hoje, a agricultura de subsistência é praticada nas médias e pequenas propriedades, quase sempre em solos inadequados. A organização e distribuição dos trabalhos é feita pelos pequenos produtores e seus familiares. Segundo os Censos Agropecuários realizados pelo IBGE, em 1970, no município de Boa Saúde, 88,56% das pessoas ocupadas na agricultura, eram membros não remunerados das famílias dos pequenos produtores; em 1980, esse percentual representava 82,07% e, em 1985, 88,62%. Os pequenos produtores, geralmente, não recebem incentivos do governo e muitos se obrigam a trabalhar em estabelecimentos maiores para garantir a sobrevivência da família.

Na agricultura de subsistência, os agricultores procuram retirar da terra tudo o que é possível para atender às necessidades da família. Em Boa Saúde, como na maioria dos municípios da região, as principais culturas de subsistência são: o milho e o feijão, que quase não geram excedentes para a comercialização, e a mandioca, produzida, também, com fins comerciais, principalmente sob a forma de farinha e goma. A mandioca era cultivada pelos índios em quase todas as regiões do Brasil e o seu uso foi assimilado pelos colonizadores.

A farinha de mandioca no século XVII, depois do trigo, era o alimento mais importante do Nordeste, chegando a ser obrigatório o cultivo da mandioca, pelos senhores de engenho, por ocasião da dominação holandesa e, depois, por D.Pedro II. Além da farinha, como no passado, ainda hoje são consumidos: o beiju, a tapioca, o carimã, dentre outros alimentos à base de mandioca.

Casa de farinha em Córrego de São Mateus
A fabricação da farinha de mandioca, ao longo do tempo, sofreu poucas alterações. Depois de arrancada e transportada para a casa de farinha, a mandioca é descascada, geralmente pelas mulheres auxiliadas pelas crianças. Em seguida, é colocada na cevadeira para ser triturada ou moída e, depois, prensada para tirar a mandicueira, um líquido tóxico. Na fase seguinte, a massa é retirada da prensa e peneirada para poder ser secada ao forno, ficando pronta a farinha.
A casa de farinha possui três peças fundamentais: a cevadeira, a prensa e o forno, atualmente movidas a eletricidade, mas que no passado eram movimentadas manualmente.

A produção de farinha chama-se farinhada. A utilização da casa de farinha pelo próprio dono durava até seis meses e, somente depois, é que era cedida aos outros produtores. O arrendamento da casa de farinha, ainda hoje, é feito pelo sistema de conga, que consiste no pagamento com um percentual da farinha produzida. A medida usada era a cuia de cinco litros. Atualmente, se usa mais o quilo.

Raspando mandioca
O armazenamento da farinha era feito em saca, confeccionada com palha de carnaúba, em caixão de madeira e, quando se tratava de grande quantidade, em paiol. Transformava-se um cômodo da casa em paiol, geralmente um quarto, revestindo o piso e as paredes com esteiras de palha de carnaúba, fazendo-se o isolamento térmico e colocando-se a farinha, armazenada a granel.

Desde o passado, a casa de farinha tem sido uma presença marcante em Boa Saúde. Contam os moradores mais antigos que no povoado existiram três casas de farinha e que o funcionamento das mesmas durava até seis meses sem parar. Atualmente, existem várias casas de farinha no município, mas a produção de farinha diminuiu. Em 1970, segundo dados do IBGE, foram produzidas 664 toneladas de farinha, enquanto que, em 1985, a produção foi de 324 toneladas, o que representa uma queda de 51,20% do produto beneficiado. Vem aumentando a área plantada e a produção de mandioca no município, mas os produtores preferem vender o produto “in-natura”.

Além do milho, do feijão e da mandioca, o município de Boa Saúde produz, ainda, o algodão herbáceo e a castanha de caju.

Cultura do caju em Boa Saúde
A cultura do algodão no Rio Grande do Norte se desenvolveu inicialmente no agreste e no oeste, atingindo depois outras regiões do Estado, que, a partir de 1860, passou a exportar o algodão beneficiado através de usinas que surgiram nas principais áreas de cultivo.
Denominado de “ouro branco”, o algodão foi um dos principais responsáveis pelo crescimento da economia do Estado, da segunda metade do século XIX até o início do século XX.

Não se sabe ao certo quando foi iniciada a cultura do algodão em Boa Saúde. Contam os moradores mais antigos que na década de 1930 existiram, no povoado, duas descaroçadeiras de algodão. Uma localizada do outro lado do rio Trairi, que teria pertencido ao Senhor João Cipriano e outra na atual Praça Nossa Senhora da Saúde, que pertenceu ao Senhor João Teixeira e cujo administrador era o Senhor Otto Hackradt.

Para os médios e pequenos agricultores, o roçado de algodão era como se fosse, uma espécie de avalista; possibilitava-lhes comprar “fiado”, bem como contrair outros compromissos financeiros, inclusive empréstimos a particulares, para serem pagos por ocasião da safra.

Segundo dados do IBGE, a produção de algodão do município de Boa Saúde, em 1975, foi de 275 toneladas; em 1980, foi de 315 toneladas e, em l996 foi de, apenas, 02 toneladas. Essa queda tão drástica da produção teve como principal causa a praga do bicudo, que dizimou, quase totalmente, a cultura do algodão no Estado, perdendo os agricultores e o setor agrícola uma de suas principais fontes de renda.

A castanha de caju, a partir de l970, vem se tornando uma das principais fontes de renda do setor agrícola do município de Boa Saúde. De uma produção de 41 toneladas, naquele ano, passou para 85 toneladas em 1975, 180 toneladas em 1980 e, 193 toneladas em 1996. A produção de castanha de caju vem aumentando e compensando, de certa forma, a queda que a economia do município sofreu com a redução da cultura do algodão.

Páginas 54 a 56


O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.

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