Condições do Produtor Rural em Boa Saúde

Em 1970, de um total de 471 produtores rurais existentes no município de Boa Saúde, 60,72% eram proprietários das terras, enquanto o restante estava produzindo na condição de arrendatário, parceiro e ocupante. Dez anos depois, a quantidade de produtores rurais aumentou para 802, sendo que, em termos percentuais, os proprietários representavam 63,72 % desse total. Em 1995, o total de produtores rurais passou para 1.139, com um percentual de 60% destes sendo proprietários das terras. Verifica-se que ocorreu um aumento significativo dos produtores, na condição de proprietários das terras, passando de 286 em 1970 para 683 em l995, representando um acréscimo de 58,13%, no período de vinte e cinco anos.

Quanto ao tamanho dos estabelecimentos agrícolas no município, predomina a pequena propriedade, com menos de 20 hectares, que em 1970 representava 78.77% do total das propriedades com, apenas, 16,31% da área total dos estabelecimentos. Em 1980, as propriedades com menos de 20 hectares correspondiam a 87,50% do total dos estabelecimentos, com 24,30% da área total. Em 1985, os estabelecimentos rurais com menos de 20 hectares representavam 88,62, com 17,25% da área total, verificando-se a predominância da pequena propriedade, de forma mais acentuada, onde as práticas agrícolas utilizadas são, ainda, muito tradicionais.
Nos dias atuais, como no passado, na agricultura de subsistência predomina o uso de instrumentos de trabalho manuais. Em 1980, 97% dos agricultores que responderam ao censo agrícola, no município de Boa Saúde, utilizavam força animal e, 39,06% força mecânica. No ano de 1985, a utilização da força manual representou 98,41% e, a força mecânica 57,56%, verificando-se um aumento do uso de máquinas na agricultura.

Nos desmatamentos das áreas a serem cultivadas, usava-se a foice e o machado para cortar as árvores, e a chibanca e a picareta para arrancar as raízes. Era comum a prática de queimar a vegetação depois de cortada e destocada (arrancada a raiz), sendo que se faziam queimadas sem arrancar os troncos das arvores, o que dificultava os tratos da lavoura. Usava-se o arado ou campinadeira, puxados por boi ou cavalo, para preparar a terra antes do plantio, e, depois, para limpar o mato, entre uma fileira e outra da plantação. A enxada era utilizada, como ainda hoje, para fazer as covas para o plantio e para as limpas. Era usada, também, para fazer leirões, uma espécie de lombadas de terra, destinados, principalmente, ao plantio de batata doce.

O trator vem sendo utilizado para preparar a terra destinada ao plantio. São poucos os proprietários que possuem este tipo de máquina agrícola no município, mas uma parte dos pequenos produtores têm acesso à mesma, contratando horas de trabalho ou através da cessão pelo poder municipal.

Quanto ao uso de fertilizantes, em 1970, do total de agricultores que responderam ao censo agrícola, 97,10% faziam adubação orgânica e, apenas 2,9% adubação química. Em relação ao ano de 1980, verifica-se que houve uma grande mudança neste sentido: do total de agricultores que utilizavam fertilizantes, 69,66% usavam adubo orgânico e 47,94%, adubo químico. Em 1985, 100% dos produtores rurais que responderam ao censo agrícola utilizavam adubação orgânica e 56,25 %, adubação química.
Páginas 56 a 58

O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.

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