As Noites de Natal e de Ano Novo em Boa Saúde

O Natal era festejado, no passado, tendo a missa da meia noite, ou “missa do galo”, como o principal acontecimento. Não se falava em Papai Noel. Era uma figura quase desconhecida no interior, naquela época. Era pouco comum a troca de cartões e de presentes.

Na esperada Noite de Natal, enquanto se aguardava a celebração da missa, ficava-se conversando nas calçadas ou “passeava-se” na rua, num vai e vem, quase interminável, com uma parada nos “botequins”, que eram uma espécie de barracas de pequenas dimensões, cobertas de palha. Ali saboreava-se as diversas comidas típicas da época: castanha de caju em forma de rosário, bolos diversos, arroz doce, sequilho e “raiva”, que eram produzidos por Maria Nicolau, Rita de Lino, Alice Bezerra, Bagre (de Guarani) e outras fazedeiras de vendagens. Para beber, além de café e guaraná, encontrava-se cachaça, ginebra “Gato Preto”, quinado e conhaque de “São João da Barra”.

As pessoas tinham, quase como uma obrigação, o costume de vestir roupa nova por ocasião da Festa do Natal . Como, naquela época, não existia roupa pronta (confecções), comprava-se o pano (tecido) e, quando não se costurava em casa, levava-se para as costureiras. Nas décadas de 50 e 60, as principais costureiras de Boa Saúde eram : Maria do Rosário Bezerra, que costurava todo tipo de roupa, mas era especialista em confecções masculinas; Maria Medeiros e Celsa de Medeiros Paiva, que preferiam costurar roupas femininas, e Penina Dias Vieira, que gostava e fazia, como ninguém, roupas para crianças e noivas.

Além de costureira, Penina era também florista. Fazia “cachos” e “capelas “ para noivas, recebendo encomendas, inclusive, de municípios vizinhos. O ano novo era pouco comemorado em Boa Saúde. Muitas pessoas iam passar a “Festa de Ano” em Nova Cruz ou Brejinho. Já por ocasião da “Festa de Reis”, preferiam se deslocar para São José de Campestre .

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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.

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