NOSSA HISTÓRIA - Entidades desportivas

NOSSA HISTÓRIA - Entidades desportivas

Entidades desportivas de Boa Saúde

Como não poderia deixar de ser, o futebol é o principal esporte do Município de Boa Saúde. O time mais antigo da cidade é o Cruzeiro Esporte Clube, fundado em 1973, com o apoio do poder municipal e tendo como principais fundadores: Auri Lúcio de Souza, João Félix Neto e Natécio Cleodon de Medeiros. Além do futebol de campo, o Cruzeiro possui também uma equipe de futebol de salão.

O futebol do município é também representado pelas equipes do Corinthians e do Santos de Córrego de São Mateus, e pelos times do Vasco da comunidade de Canto Grande e do Guarani, do povoado de Guarani. Além da participação em campeonatos municipais, as equipes do Cruzeiro, Corinthians e Santos representam o município em competições, como Copa Trairi e Matutão.

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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
NOSSA HISTÓRIA - O Centro Social Izaú Vilela

NOSSA HISTÓRIA - O Centro Social Izaú Vilela

O Centro Social Izaú Vilela

Além da sindicalização dos trabalhadores rurais, com o objetivo de realizar um trabalho de assistência e promoção social nas cidades e nos sítios, da área de atuação da Paróquia de Serra Caiada, Pe. Vilela incentivou a organização das famílias e dos jovens em grupos ou instituições.

Josefa Nunes de Medeiros
Dona Zefinha Cleodon
No início dos anos 60, em Boa Saúde, naquela época Januário Cicco, foram criados: o Centro Social Izaú Vilela, o Clube de Mães Nossa Senhora da Saúde e a Juventude Agrária Católica -JAC.

O Centro Social era uma espécie de carro chefe de todas as atividades de assistência e de promoção social, que eram realizadas sob a orientação do Serviço de Assistência Rural – SAR, na comunidade: curso de alfabetização de adultos, através das escolas radiofônicas do MEB (Movimento de Educação de Base) e Curso de Madureza Ginasial pelo rádio, ambos transmitidos pela Emissora de Educação Rural; distribuição de roupas e alimentos doados pela CARITAS Arquidiocesana de Natal; promoção de palestras e campanhas educativas; distribuição de filtros ; empréstimo rotativo de sementes, inseticida, instrumentos de trabalho, depósitos para guardar cereais e pequenos animais aos agricultores, além de outras realizações: curso de corte e costura, celebração da páscoa coletiva e comemoração das principais datas festivas: Dia das Mães, São João, Natal e Ano Novo.

O Clube de Mães tinha como presidente a Senhora Maria da Salete de Lima Andrade. Eram realizadas reuniões e palestras educativas, além de doações de roupas para os recém-nascidos, enxovais esses que eram confeccionados pelas próprias gestantes, sob a orientação da Senhora Josefa Nunes de Medeiros, mais conhecida como Dona Zefinha, com tecidos comprados com recursos das mensalidades das sócias.

Padre Vilela
As atividades realizadas pelo centro social eram coordenadas pela Senhora Josefa Nunes de Medeiros, que assumia a função de presidente e contava com uma equipe de colaboradores, da qual fazia parte a Senhora Elvira Pinheiro Galvão. A participação do grupo da JAC nas atividades do centro social reunia um bom número de jovens em Boa Saúde, sob a liderança de José Alaí de Souza, que chegou a ser diretor redator do Correio Rural (jornal editado a nível nacional pela JAC) e Presidente Nacional da JAC, movimento com sede no Rio de Janeiro e atuação em 14 Estados do Brasil, no período de 10/05/1962 a 20/06/1965. José Alaí, em agosto de 1964, representou a JAC do Brasil na V Assembléia Mundial do Movimento Internacional da Juventude Agrária e Rural Católica, realizado em Camerum, na África, com a participação de jovens de 57 países dos cinco continentes.

A atuação de Pe. Vilela como vigário da Paróquia de Serra Caiada não se limitou, apenas, ao trabalho da pastoral. Sua presença foi muito marcante, também, para a formação dos jovens, o treinamento de lideranças e a organização das comunidades.

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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
Projeto Meninos de Ouro

Projeto Meninos de Ouro

O Vereador Danilo Gabriel está desenvolvendo o Projeto Meninos de Ouro que conta com a participação de mais de 20 adolescentes.

O projeto é voltado para garotos entre 8 e 16 anos e objetiva a prática esportiva como forma de promover ocupação e desenvolver outras habilidades. Durante os encontros os participantes realizam treinos de futebol, exercícios orientados e participam de um momento de reflexão sobre conduta social. Ainda são orientados sobre segurança, respeito aos pais, educação, dentre outros assuntos.

Segundo Danilo, o projeto já está mostrando os frutos pois alguns pais o tem procurado para falar sobre o melhoramento da conduta dos filhos no lar. "Estamos incentivando para que os participantes se interessem ainda mais pela escola, que sejam bons cidadãos... E em breve estaremos promovendo para os participantes consultas médicas e odontológicas, palestras sobre segurança, direitos e deveres e os levando a realizar ações sociais em nosso querido Córrego de São Mateus... Estamos em parceria com o treinador Neto da cidade de Brejinho que tem um projeto igual a esse e em breve estaremos buscando parcerias com outras cidades vizinha para que os meninos possam participar de torneios e campeonatos".

Danilo informou que já conversou com o Dr. Nilson (médico de Córrego de São Mateus) para fazer uma avaliação médica nos garotos e o mesmo se mostrou muito satisfeito em poder contribuir com a ação. Danilo ainda disse que vai em busca de parcerias com a Polícia, Assistência Social, Secretaria de Educação e de Saúde, Conselho Tutelar, dentre outros.

O nome do projeto nasceu assim: "Após os últimos acontecimentos em nossa comunidade e conversando com muitas pessoas sempre ouvia as frases: 'Esse é um vagabundo... Nunca vai dar pra gente... Vai dar muito trabalho aos pais... Vai morrer logo, logo...' Diante disso nasceu a preocupação com o futuro desses jovens e o desejo de contribuir para que em breve tenhamos jovens comprometidos com a vida, com a educação, com o próximo". Explicou Danilo.

Os treinos acontecem todos os sábados no Campo de futebol José Amorim e para participar o interessado deve procurar Danilo ou Zezinho de Leonel.
NOSSA HISTÓRIA - O Sindicato dos Trabalhadores Rurais

NOSSA HISTÓRIA - O Sindicato dos Trabalhadores Rurais

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais

Edivaldo Guino
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Boa Saúde
Nos primeiros anos da década de 1960, teve início a sindicalização dos trabalhadores rurais do Nordeste, a partir da organização das Ligas Camponesas, que começou nos anos 50, na zona canavieira de Pernambuco.

Com o trabalho social realizado pela Arquidiocese de Natal, através do Serviço de Assistência Rural - SAR, com o apoio das paróquias, os trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte, também, começaram a se organizar em sindicatos.

A organização dos trabalhadores rurais de Boa Saúde teve início com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Serra Caiada, em 18/11/1960, os quais começaram a participar do mesmo através de uma delegacia sindical. O vigário da Paróquia de Serra Caiada, na época, era o Pe. Antônio Dantas Vilela, que deu todo apoio, não somente à sindicalização dos trabalhadores rurais, mas, também, à organização de outros grupos na área da paróquia.

Em 22/11/1992, os trabalhadores rurais de Boa Saúde se desmembraram do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Serra Caiada, fundando o seu próprio sindicato, tendo como primeiro presidente o Senhor João Batista da Silva e vice-presidente o Senhor Alexandre de Freitas. Atualmente, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Boa Saúde é composta pelos seguintes trabalhadores: João Batista da Silva, presidente; João Custódio da Silva, vice- presidente; Antônio Pinheiro Pinto, secretário e João Alves da Silva, tesoureiro.

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NOSSA HISTÓRIA - A Cooperativa Agropecuária

NOSSA HISTÓRIA - A Cooperativa Agropecuária

A Cooperativa Agropecuária de Boa Saúde

Antônio Augusto de Souza
Em Boa Saúde existiu uma cooperativa, denominada de Cooperativa de Crédito Agrícola de Januário Cicco Ltda., fundada em 25/11/1956, cujo objetivo era oferecer empréstimos aos agricultores da sua área de atuação. A referida organização teve como primeiro presidente o Senhor Antônio Augusto de Souza e, depois, o Senhor Manoel Ribeiro de Andrade. O seu fechamento ocorreu na primeira metade dos anos 60, tendo como principal causa a legislação específica para o sistema financeiro que, na época, favorecia o surgimento dos bancos privados, em detrimento das cooperativas de crédito.

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NOSSA HISTÓRIA - O Rio Trairi

NOSSA HISTÓRIA - O Rio Trairi

O Rio Trairi

O Município e a cidade de Boa Saúde são banhados pelo Rio Trairi, que nasce na Serra do Doutor, nos municípios de Campo Redondo e Coronel Ezequiel, e deságua no Oceano Atlântico, através da Lagoa Guaraíra, no município de Nísia Floresta.

Poço da Pedra Grande no Rio Trairi
Os primeiros habitantes do povoado construíram suas casas nas proximidades do rio, se estabelecendo ali por causa dele e iniciando uma relação de convivência e de dependência.
Poço da Pedra Grande no Rio Trairí. Como todo rio periódico, o Trairi, nos anos bons de inverno, torna-se perene com as grandes enchentes. Passado o período das chuvas, o seu leito seca, ficando alguns poços, em determinados lugares, servindo para as pessoas tomarem banho e os animais beberem água. Em Boa Saúde, desde tempos remotos, existe o poço da pedra grande, onde as pessoas se banhavam diariamente, em horários destinados aos homens e às mulheres. Atualmente, o banho de rio se constitui um lazer, enquanto que no passado fazia parte da higiene , uma vez que não existia água encanada. Desde o passado, e ainda hoje, conta-se que existe uma gruta, de grandes dimensões, debaixo da pedra grande.

No período do inverno, o abastecimento das residências era feito com água de chuva “aparada” diretamente na “biqueira” ou armazenada em cisternas. O responsável pela introdução do uso da cisterna em Boa Saúde foi o Senhor Sebastião Cleodon de Medeiros, que construiu a primeira da localidade, em sua residência, servindo de exemplo para outras pessoas, que passaram a construir, também, para poder continuar bebendo água doce depois do inverno. Devido os custos de construção, poucas pessoas possuíam cisternas, e, desse modo, a maioria atendia a todas as necessidades de consumo com água salobra, retirada de cacimbas cavadas no leito do rio, carregada em barris conduzidos por jumento (foto abaixo), em “galões”, ou, ainda, em potes, cabaços e latas na cabeça. Somente depois foi que surgiram os carros pipas trazendo água doce.

As enchentes do rio eram um “acontecimento”. Movimentavam as pessoas a partir do momento em que corria a notícia: “o rio vem com água!”. Quem tinha cerca no leito do rio, ou nas suas margens, cuidava logo de desmanchar. Outra providência urgente era a retirada dos animais que estivessem pastando no leito e nas margens do rio. As pessoas cujas residências ficavam do outro lado do rio tinham que, às pressas, atravessarem em direção às suas casas.

Quando o rio começava a encher, as pessoas desciam rua abaixo, parecendo uma procissão, para ver a “cheia”, não importando a hora do dia ou da noite. Rio cheio, “de barreira a barreira”, enquanto a água não baixasse, atravessar somente a nado. Precisava ser bom nadador, como os irmãos Joaquim, Manoel e Nelson Flor, residentes em Boa Saúde e que faziam a travessia de pessoas, mercadorias e, até, defuntos.

Dependia, também, do rio a lavagem de roupa. No verão, com água salobra das cacimbas, e no inverno, com água de chuva dos tanques da pedra grande e dos lajedos do outro lado do rio. Existia uma verdadeira disputa pela água dos tanques. Quem chegava primeiro, levava vantagem, ficando com a maior quantidade de água. A roupa era lavada nos lajedos que serviam, também, para “quarar”. Depois, era secada ao sol estendida nas cercas de arame.

Outros aspectos importantes da vida da população relacionados com o rio eram a pesca e a cultura de vazante. A pesca era praticada com frequência, contribuindo para o sustento das famílias. Os principais peixes encontrados, principalmente nos poços, eram: a traíra, a curimatã, o cará, o jundiá e a piaba, pescados com tarrafa, anzol e landuá. A pesca da piaba era feita com o auxílio de uma garrafa, tendo como isca farinha de mandioca.

A cultura de vazante era realizada no leito do rio, nos períodos de estiagem. Plantava-se batata doce para o consumo das pessoas e capim para ração dos animais.

Nos dias atuais, a relação da população com o rio não é mais a mesma. Com a construção da ponte, as pessoas atravessam desapercebidas, de um lado para outro, a qualquer hora do dia ou da noite, independente do rio estar cheio ou seco. Com a chegada da água encanada as pessoas não dependem mais do rio para tomar o seu banho diário, como não dependem, também, da água salobra das cacimbas para atender a outras necessidades de consumo. A lavagem de roupa com água dos tanques é coisa do passado. A pesca e a cultura de vazante quase não existem mais. As enchentes já não chamam tanto a atenção como antigamente. Só o rio é o mesmo, com todo o seu potencial, que precisa ser preservado e explorado racionalmente.

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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
NOSSA HISTÓRIA - A Pensão de Maria Júlio

NOSSA HISTÓRIA - A Pensão de Maria Júlio

A Pensão de Maria Júlio

No início do povoado, a primeira pessoa que oferecia hospedagem aos viajantes quando de passagem por Boa Saúde era o Senhor Antônio Badamero Sacca, cuja residência, um casarão de taipa, com muitos quartos, localizava-se onde existiu o grupo escolar e, atualmente, está situada a agência dos Correios. Como se dizia naquela época, ele oferecia “arrancho”, principalmente aos tropeiros.

Era comum, naquela época, os tropeiros que iam ou retornavam do sertão transportando mercadorias, fazerem uma parada para descançar. Tangiam uma tropa de três ou mais burros mulos e, aqui, acolá, obrigatoriamente, tinham que se “arranchar” num lugar que oferecesse comida, dormida e condições para “arriar” a carga e cuidar dos animais. Boa Saúde era um desses lugares.

No início da década de 1930, esse tipo de hospedagem ficava por conta do Senhor José Calazans Ribeiro, que tinha sua residência localizada onde atualmente existe o Clube 2 de Fevereiro, na Praça Nossa Senhora da Saúde.

Em 1935, o Senhor José Elias de Souza, conhecido como Zé Júlio, com sua família, fixou residência em uma casa localizada na Rua de Baixo, atual Heronides Câmara, onde começou, também, a oferecer “arrancho” aos tropeiros. Aos poucos, a procura foi aumentando, ao ponto dele ter que comprar uma casa maior para acomodar a quantos procurassem hospedagem.

Todos os membros da família participavam dos trabalhos da pensão, mas uma das filhas de Seu José Júlio, por nome de Maria Júlio, era quem mais se dedicava, assumindo uma das tarefas mais difíceis: auxiliar sua mãe na cozinha.

Com o falecimento de Seu José Júlio, o comando da pensão ficou sob a responsabilidade de Maria Júlio, contando com a ajuda de suas irmãs.Os anos foram se passando e mudando a clientela. O transporte de mercadorias, até então feito pelos tropeiros, passou a ser realizado pelos caminhões. A figura do tropeiro foi substituída pela do feirante, que dada a rapidez do novo meio de transporte, dispensava hospedagem durante a viagem. A pensão, que passou a ser chamada de Pensão de Maria Júlio, perdeu a clientela que lhe deu origem e viveu um período de pouca movimentação.

Anos depois, a partir de 1953, quando Boa Saúde passou a ser município, pessoas que vinham à cidade a serviço da Prefeitura, passaram a fazer parte da sua clientela, inclusive como mensalista. Outra forma de manutenção da pensão era o fornecimento de refeições nos dias de feira. E como na época não existia nenhum bar na localidade, nos dias de feira e nas principais festas não faltava uma cervejinha gelada, uma cachacinha e “tira-gostos” variados, muitas vezes ao som da sanfona de Dioclécio ou Vital.

Já se passaram mais de 65 anos, desde o início da pensão até hoje, e Maria Júlio, aos 72 anos de idade, está cansada, mas “não arredou o pé”. Continua firme, apesar da pouca frequência e das dificuldades que enfrenta.

A época dos tropeiros passou, assim como passou a dos feirantes e a das pessoas que ali se hospedavam quando a serviço da prefeitura ou por outro motivo qualquer. Muitas mudanças contribuíram para que isto acontecesse: as rodovias asfaltadas, substituíram as estradas de terra; os ônibus diários tomaram o lugar do “misto” que fazia a “linha” duas, três vezes por semana; o automóvel e o telefone encurtaram as distâncias. As coisas não são como eram antes. Os tempos não são os mesmos. Hoje, como no passado, somente o propósito e a vontade de Maria Júlio, de bem servir à comunidade.
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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
Chicó Maria apresenta um bonito arraiá

Chicó Maria apresenta um bonito arraiá

Na noite desta sexta-feira, 7 de julho, a Escola Municipal Chicó Maria, realizou uma bela festa junina.  O evento foi realizado no Clube de Aurélio e contou com a participação de muitos pais de alunos e demais moradores da comunidade.

Após a palavra de agradecimento do diretor Wilson, iniciaram-se as apresentações das turmas menores. Logo em Seguida a quadrilha junina Chapéu de Palha deu um show de apresentação ao contar a história de amor em meio ao cangaço e a fé (representada pelos romeiros).












NOSSA HISTÓRIA - Festa da Padroeira

NOSSA HISTÓRIA - Festa da Padroeira

Festa da Padroeira em Boa Saúde

Boa Saúde vive sob a proteção de Nossa Senhora da Saúde, sua padroeira, cuja devoção, conforme já analisado, vem desde o inicio do povoado, que recebeu o nome de Boa Saúde em sua homenagem. A Festa de 02 de Fevereiro, como é conhecida, é um dos maiores acontecimentos sócio-religiosos da Região do Trairi. Dela participa gente da capital, dos municípios mais próximos e de lugares distantes, inclusive de outros Estados do Nordeste, principalmente filhos da terra ou pessoas que já residiram em Boa Saúde. É uma ocasião de reencontro de parentes e amigos.

Procissão do dia 2 de fevereiro
Durante todo o ano, as pessoas visitam a capela de Nossa Senhora da Saúde e pagam promessas. Mas é durante os dias 01 e 02 de fevereiro que milhares de devotos acorrem à cidade para participar da festa da padroeira, agradecendo graças alcançadas e pagando promessas, como: acender velas, conduzir o andor, acompanhar a procissão descalço, carregando pedra na cabeça ou vestindo trajes religiosos.

Procissão do dia 2 de fevereiro
No passado, no período da referida festa, as ruas eram enfeitadas com bandeirinhas coloridas de papel de seda. Além das celebrações religiosas, que constavam de novenas, missa e procissão, faziam-se barraca e leilão dos donativos recebidos, em benefício da igreja. Fazia parte da tradição, a queima de “fogos de vista” e “fogos do ar” (conhecidos atualmente como fogos de artifício e foguetões), que eram fabricados em São José de Mipibu, pelos fogueteiros Tota e Joca Davino, na década de 1940. Eles fabricavam, com segurança e perfeição, todos os fogos de estampido e de artifício que eram usados por ocasião das festas, em toda a Região Agreste.

Somente, há uns sessenta anos atrás foi que os bailes passaram a fazer parte da festa. O primeiro foi realizado por acaso. Segundo contam algumas pessoas daquela época, terminada uma das festas, os organizadores faziam um “apanhado” da mesma, quando passou pelo local um sanfoneiro e, então , aproveitaram para dançar. A partir desse fato, os bailes passaram a fazer parte da programação da festa.

Durante muito tempo, os bailes eram realizados, somente, depois da festa religiosa, que se encerrava com a procissão, no dia 02 de fevereiro. Tinham como local, inicialmente, o mercado, e depois, o prédio da escola, até a sua proibição nesse local pela Secretaria de Educação, na primeira metade da década de 1950, quando foi construída uma quadra descoberta para a sua realização. Construída a uns 12 metros de uma das laterais da capela, a referida quadra não contou com a aprovação do Padre Antônio Barros, vigário de São José de Mipibu, paróquia à qual pertencia a capela de Boa Saúde. Durante dois anos seguidos, o Padre Barros deixou de celebrar a missa da festa da padroeira, voltando a fazê-lo depois que a quadra foi demolida.

A construção de outra quadra, em local afastado da capela, deu origem ao “Clube 2 de Fevereiro”, contando com a participação de grande parte da comunidade, principalmente, da juventude, no final dos anos 50 e início dos anos 60, época em que a capela de Boa Saúde já pertencia à Paróquia de Serra Caiada, tendo como vigário o Padre Antônio Vilela Dantas.

A festa da beira do rio Trairi
Nos últimos trinta anos, vem ocorrendo certas mudanças na Festa de 02 de Fevereiro. Antes o programa era impresso e organizavam-se comissões que per-corriam os sítios e cidades vizinhas, divulgando o pro-grama da festa e arrecadando donativos. Havia uma participação ativa da comunidade, que se responsabilizava pela programação da festa, que, além das celebrações religiosas, constava de barraca, leilão, concurso de rainha e baile, com o objetivo de conseguir recursos para as obras da igreja, inclusive para a construção e conservação do clube. E, naquele tempo, contava-se com certas dificuldades, que não existem hoje: a bebida era comprada em Macaíba ou São José de Campestre; o gelo em barra vinha de Natal, acondicionado em saco de estopa com pó de serra; as mesas e os tamboretes eram emprestadas de outras cidades.
A festa da beira do rio Trairi
Observa-se, entretanto, que em relação à “festa de rua”, poucas mudanças ocorreram: os parques de diversões, praticamente, são os mesmos; continuam os diversos tipos de sorteios e de jogos tradicionais, como do preá e do laço; permanecem as bancas de bebidas, com “tiragostos” variados e, as de café, com várias gulozeimas, além de muitas outras, com uma infinidade de artigos. Continua, também, a vinda de grupos de prostitutas das cidades vizinhas, que se juntam num determinado local do rio e armam barracas, onde não faltam música, bebida e sexo. Uma particularidade que permanece com a denominação de “festa do rio”.

É necessário que se promova o resgate de alguns aspectos da Festa da Padroeira, que, no passado, eram muito relevantes. É de suma importância que a participação dos diversos segmentos da sociedade seja retomada, realizando atividades como barraca, leilão e festa no clube, com a renda destinada à igreja. Não é admissível que as festas particulares sejam colocadas em primeiro plano, em detrimento da Festa de Nossa Senhora da Saúde, a festa da comunidade.

Foram muitas as pessoas que fizeram parte das comissões organizadoras da Festa de 02 de Fevereiro. Lembrar de todas, uma por uma, ao longo do tempo, é impossível. Entretanto, fazemos um registro daquelas que foram lembradas por ocasião das entrevistas realizadas: José Calazans Ribeiro, Antônio Augusto de Souza, Sebastião Cleodon de Medeiros, Agenor Ferreira Xavier, Clidenor Ferreira Xavier, Otacílio Barbosa de Silva, Alexandre de Freitas, Necilda Xavier, Maria Almeida Galvão, Luíza Almeida Galvão, Aliete de Medeiros Paiva, Helena Costa, Penina Dias Vieira, Maria Bento, Manoel Ribeiro de Andrade, Maria da Salete de Lima Andrade, Maria Helena de Azevedo Barbalho, José Aldo Barbalho, José Alaí de Souza, José Aldí de Souza, Maria do Céu de Souza, Paulo de Souza, Elias Inácio, Mário Cordeiro de Oliveira, Nizardo Cleodon de Medeiros, José Ribeiro (Dedé do Correio), Antônio Urbano dos Santos, Carlos Barbosa da Silva, Célia Barbosa da Silva, Maria das Neves Barbosa da Silva, Nidarte Medeiros, Maria das Dores Alencar, Terezinha Matias e Neci Matias.
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NOSSA HISTÓRIA - A Culinária

NOSSA HISTÓRIA - A Culinária

A Culinária de Boa Saúde

Nos dias atuais, a caça e a pesca pouco contribuem para a alimentação da população. De um modo geral, grande parte dos alimentos mais consumidos em Boa Saúde ainda são originários da sua produção agrícola, da sua pecuária e da criação doméstica de aves. A base da alimentação da maioria da população é o feijão branco ou macaçá e a farinha de mandioca.

As formas de preparo dos alimentos não diferem muito das demais regiões do Estado. As carnes, geralmente, são preferidas torradas ou guisadas, sendo que a carne de sol é consumida assada na brasa, sob a forma de paçoca ou, ainda, cozida no feijão. Os principais pratos típicos preparados à base de carnes são: buchada de carneiro, picado (sarapatel), feito de vísceras de carneiro ou de porco, panelada, feita de mão-de-vaca ou outra carne bovina com osso. Os temperos usados são: pimenta do reino em pó, alho, cebola, colorau, vinagre, sal e cheiro verde (coentro e cebolinha).

Dependendo de determinadas datas e ocasiões, são preferidos alguns tipos de pratos:

- Na sexta-feira da paixão, o almoço é preparado à base de peixes, que são cozidos no leite de coco ou fritos, tendo como principais complementos pirão e arroz no coco.

- Pelo Natal, Ano Novo e por ocasião das festas de casamento, galinhas e perus são preparados sob as formas de assado e de guisado ou torrado. Os perus são “cevados” (alimentados) com antecedência, recebendo alimentação pelo bico, de maneira quase forçada até engordar.

- Após o parto, uma dieta muito usada era galinha “de chiqueiro” ou “capão” torrados, servidos com pirão.

- Durante os festejos juninos, faz parte das tradições o consumo de milho verde assado, cozido na palha ou ainda nas formas de bolos, pamonha e canjica, pratos que têm como um dos principais ingredientes o leite de coco. Fora da época junina, o milho é usado para fazer cuscuz, canjicão e mungunzá. Na região Agreste, a pamonha e o mungunzá são adoçados, enquanto em outras regiões, principalmente no Sertão, são salgados.

No passado, o beneficiamento do milho era feito em casa. Para fazer o cuscuz, o milho era colocado de molho na água e depois utilizava-se o moinho e a peneira para produzir a massa. Já o milho para o mungunzá era colocado no pilão, para “tirar o olho e a pele”. Para os grãos ficarem inteiros, colocava-se, juntamente com o milho no pilão, bucha de coco, na falta de palha de arroz.

O leite de gado, além do seu consumo depois de fervido, ou sob as formas de coalhada, mingaus para as crianças e papas para os mais idosos, é usado no preparo do arroz de leite, cuscuz, mungunzá e outros pratos, além da fabricação de queijos de manteiga e de coalho. Da nata do leite produz-se um tipo de manteiga, conhecida como de garrafa ou do sertão. O leite de cabra era muito usado para a fabricação de queijo de coalho. Acreditava-se que depois de iniciada a fabricação do queijo de manteiga, não podia chegar nenhuma pessoa estranha, pois a presença desta era o suficiente para colocar em risco a qualidade do produto. Faz parte da culinária da região uma variedade de alimentos provenientes do beneficiamento da mandioca. Além da farinha, que é consumida de várias maneiras, da goma produz-se: “grude”, beiju de forno, beiju seco, tapioca, “raiva” e sequilho. Da carimã ou mandioca mole, produz-se o bolo preto, ou “pé-de-moleque”, e outros tipos de bolos".
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NOSSA HISTÓRIA - O Artesanato

NOSSA HISTÓRIA - O Artesanato

O Artesanato de Boa Saúde

Atualmente, o artesanato é produzido mais como artigo de decoração e suvenir, enquanto no passado era voltado, quase com exclusividade, para atender às necessidades do consumo doméstico.
Em Boa Saúde, no início do povoamento, o Senhor Antônio Badamero produzia móveis rústicos, tais como: cama de couro e madeira, mesas, bancos e tamboretes. Mais recentemente, o Senhor Manoel Matias fabricava vários tipos de móveis e objetos de madeira. O atual andor da procissão de Nossa Senhora da Saúde é uma das peças de madeira produzidas por ele.

Do barro de louça ou argila faziam-se uma variedade de vasilhas de utilidade doméstica, principalmente na cozinha: panelas, caco de torrar café, cuscuseira, caco de fazer tapioca, alguidar, potes, tinas, jarras e muitos outros objetos.

À arte de trabalhar o barro de louça dedicavam-se, geralmente, as mulheres e sempre passava de mãe para filha. As principais louceiras de Boa Saúde foram Belina e Chiquinha Louceira.

A argila era, como ainda hoje, muito utilizada para fazer tijolos e telhas para a construção. As pessoas costumavam fazer “arrelia” (se reunir), para “bater” e queimar tijolos e, também, para os trabalhos de construção de suas casas, trocando dias de “serviço”.

Além das vasilhas de barro, outras eram feitas de cabaço: cuias de variados tamanhos, cumbuca e o próprio cabaço para conduzir água para o roçado.

Da palha da carnaúba eram produzidos chapéus, esteiras, sacas, vassouras, espanadores, abanos e outros artigos que eram vendidos nas feiras. Usavam-se as esteiras para forrar os paióis de farinha, para servir de cama ou mesa, quando colocadas no chão com estas finalidades.

A arte dos ferreiros era, também, de grande utilidade para as comunidades do interior. Em Boa Saúde, o senhor Severino Justino de Oliveira, que por conta do seu ofício era chamado de Severino Foguista, em sua oficina produzia: escarinhador e enxada de campinadeira, esporas, peças para arreio, estribo, marcas de ferrar gado, armadores de rede, alavancas e outros objetos. Além de produzir, ainda “apontava” ou afiava os instrumentos de trabalho, quando gastos, deixando-os prontos para serem usados novamente. Outro ferreiro que prestou muito serviço à comunidade foi Abílio Ferreira da Silva, que quase não trabalha mais por falta de encomenda. Os produtos industrializados substituíram o que era produzido artesanalmente pelos ferreiros.

Outro artesanato que está desaparecendo é a renda de almofada, um trabalho que passava de mãe para filha e que ainda existe em Boa Saúde, graças à persistência e dedicação de pessoas como a senhora Maria Nair de Moura. Mais conhecida como Maria Afonso, aos 89 anos, ela não deixa a sua almofada de bilros por nada.



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