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Boa Saúde, 68 anos e algumas histórias pra contar

Boa Saúde, 68 anos e algumas histórias pra contar

Hoje nossa cidade está completando mais um ano de emancipação política. Nada melhor do que um pouquinho de história para que venhamos a valorizar ainda mais o lugar em que vivemos.

ORIGEM DO POVOADO
O livro Boa Saúde, Origem e História, de José Alai e Maria de Deus, filhos de Boa Saúde... Dá conta de que em meados do século XIX, o sertão paraibano passou por uma grande seca. Daí uma família de dez irmãos retirou-se de lá pendendo pra as bandas do Rio Grande. Sua retirada findou na Data do Lerdo, que pertencia a Vila de São José do Rio Grande, que hoje é São José de Mipibu.

Chegando aqui se arrancharam as margens do Rio Trairi, que não tinha tanta água, mas tinha água. Foram chamados então de Os Cachoeiras.

ORIGEM DO NOME BOA SAÚDE
Trata a tradição e alguns documentos antigos ajudam a sustentar... Que um dos Cachoeiras quando esteve doente, passou a banhar-se no Poço da Pedra Grande. Nesse poço tinha muito muçambê, uma planta medicinal. O caba ficou bom e agradeceu a Nossa Senhora da Saúde a graça recebida.

Em uma de suas romarias para o Juazeiro um padre questionou sobre o nome do povoado que se chamava Lerdo e sugeriu que colocassem um nome que expressasse religiosidade e prosperidade. O romeiro, que era devoto de Nossa Senhora da Saúde, trouxe no matulão uma imagem da santa e a família construiu uma capela tornando Nossa Senhora da Saúde, padroeira do povoado. E a partir daqueles dias o povoado passou a chamar-se Boa Saúde e não mais Lerdo.

O NOME JANUÁRIO CICCO
Aí foi onde o bicho pegou... Na década de 50, só haviam dois partidos políticos em Boa Saúde: O PSD e a UDN... O PSD era o partido com maior representatividade... Para que houvesse a emancipação o Deputado João Frederico Aboutt Galvão, que era da UDN, deveria votar a favor o que não aconteceu de início.

Como Aboutt Galvão não votou Boa Saúde não passou a ser cidade. Porém os distritos de Serra Caiada e Monte Alegre tornaram-se cidades e Boa Saúde foi dividida em duas partes. Diante disso as autoridades políticas de Boa Saúde procuraram o Deputado Aboutt Galvão que concordou em votar a favor da emancipação se o novo município fosse chamado de Januário Cicco em homenagem ao ilustre, amigo e médico Dr. Januário Cicco.,

No dia 11 de dezembro de 1953, o povo se reuniu para comemorar o nascimento da nova cidade e aconteceu uma grande surpresa... Foi anunciado um novo nome para Boa Saúde... Januário Cicco não agradou o povo e os fogos foram apenas estouros e não expressaram alegria nenhuma.

No dia 02 de fevereiro de 1991, a Câmara de Vereadores aprovou a Emenda que alterou o nome de Januário Cicco para Boa Saúde.

Nosso blog publicou todo o livro (com autorização do autor) com muitas fotos. Vale a pena conferir. Clique AQUI.
Córrego de São Mateus, 58 anos

Córrego de São Mateus, 58 anos

No dia 25 de setembro de 1963, estava publicado no Diário Oficial do Rio Grande do Norte o Decreto Nº 2.929, de 24/09/1963, que elevava o povoado de Córrego de São Mateus à categoria de distrito do município de Boa Saúde.

Na época haviam pouquíssimas casas mas que abrigavam um povo alegre, festeiro e cheio de aconchego pra dar. Essa hospitalidade é uma das características da nossa comunidade pois quem passa por aqui sai com desejo de voltar.

Atualmente o Córrego conta com uma boa infraestrutura que garante a subsistência da maioria do seu povo sendo a maior fonte de renda o plantio e beneficiamento da mandioca. Outra fonte de renda que vem crescendo nos últimos cinco anos é o comércio que conta com mais de 80 pontos, entre grandes mercados e pequenos empreendedores.
NOSSA HISTÓRIA - Emancipação Política

NOSSA HISTÓRIA - Emancipação Política

Emancipação Política de Boa Saúde

No início da década de l950, os partidos de maior representatividade no Rio Grande do Norte eram o Partido Social Democrático – PSD e a União Democrática Nacional – UDN. No período de 13/07/1951 a 31/01/1956, o Estado era governado pelo senhor Sylvio Piza Pedroza pertencente ao PSD, e o Município de São José de Mipibu administrado pelo senhor Pedro Juvenal Teixeira de Carvalho, pertencente ao mesmo partido.

Antônio Augusto de Souza
Em Boa Saúde os partidários do PSD eram liderados pelos senhores Antônio Augusto de Souza, Manoel Teixeira de Souza e Manoel Ribeiro de Andrade, enquanto os seguidores da UDN tinham como líderes o senhor Severino Dias de Paiva e a senhorita Aliete de Medeiros Paiva.

Nessa época, em Boa Saúde só existia representação política desses dois partidos. Não se contava com outra opção que não fosse pertencer e votar no PSD ou na UDN. As campanhas políticas eram muito acirradas. Os políticos e os eleitores não trocavam de partido com a mesma facilidade e frequência dos dias de hoje. Os eleitores eram menos esclarecidos e por isso votavam fielmente nos candidatos do patrão ou do chefe político, achando que favor se pagava com o voto. Daí as expressões: “curral eleitoral” e “voto de cabresto”.

Foi nesse clima que surgiu o ideal de emancipação política de Boa Saúde, por parte dos seguidores do PSD local, liderados pelo senhor Antônio Augusto de Souza, em l953, ano em que foram criados vários municípios no Rio Grande do Norte. Boa Saúde seria um deles, se não dependesse do voto decisório do Deputado Estadual João Frederico Abott Galvão, pertencente à UDN, que votou contra a sua emancipação.

Criado o Município de Monte Alegre através da Lei nº 929, de 25/11/1953, parte do Distrito de Boa Saúde passou a pertencer ao seu território, enquanto que o restante foi anexado ao Município de Serra Caiada, criado através da Lei nº 908, de 24/11/1953.

O fato do Distrito de Boa Saúde não ter sido emancipado, ter deixado de pertencer ao Município de São José de Mipibu, sendo dividido em duas partes, reforçou, ainda mais, o movimento pela sua emancipação, tendo à frente o Senhor Antônio Augusto de Souza, contando com o apoio do Deputado Federal Theodorico Bezerra, do PSD, e de outros deputados na Assembléia Legislativa. As articulações nos meios políticos e o apoio recebido do Governador Sylvio Piza Pedroza resultaram na criação do município, através da Lei nº 996, de 11/12/l953. Desmembrando-se de Monte Alegre e de Serra Caiada, Boa Saúde tornou-se município, com o nome de Januário Cicco, numa homenagem ao ilustre mipibuense, Dr. Januário Cicco, atendendo à exigência do Deputado João Frederico Abott Galvão, em troca do seu voto. A mudança do nome de Boa Saúde para Januário Cicco deixou a população surpresa.

Segundo o historiador Luiz da Câmara Cascudo, em Nomes da Terra, página l93, o Dr. Januário Cicco nasceu em São José de Mipibu em 1881 e formou-se em medicina em 1906, pela Faculdade da Bahia. Exerceu a profissão de médico, como policlínico, cirurgião e parteiro. Exerceu as seguintes funções: Inspetor da Saúde do Porto, Diretor do Hospital Juvino Barreto, transformando-o no Hospital Miguel Couto, posteriormente Hospital das Clínicas e hoje Hospital Universitário Onofre Lopes. Fundou a Sociedade de Assistência Hospitalar, em 1927 e a Maternidade Januário Cicco, em l950. Publicou cerca de 10 trabalhos científicos e literários. O Dr. Januario Cicco faleceu em 1952, em Natal.

Não se discutiria o mérito da homenagem, se não tivesse acontecido mediante as circunstâncias em que veio a ocorrer, deixando a população insatisfeita, ao ponto de pedir de volta a denominação de Boa Saúde, uma homenagem à sua padroeira, Nossa Senhora da Saúde, desde o início do povoamento.

Página 127

O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
NOSSA HISTÓRIA - A Pensão de Maria Júlio

NOSSA HISTÓRIA - A Pensão de Maria Júlio

A Pensão de Maria Júlio

No início do povoado, a primeira pessoa que oferecia hospedagem aos viajantes quando de passagem por Boa Saúde era o Senhor Antônio Badamero Sacca, cuja residência, um casarão de taipa, com muitos quartos, localizava-se onde existiu o grupo escolar e, atualmente, está situada a agência dos Correios. Como se dizia naquela época, ele oferecia “arrancho”, principalmente aos tropeiros.

Era comum, naquela época, os tropeiros que iam ou retornavam do sertão transportando mercadorias, fazerem uma parada para descançar. Tangiam uma tropa de três ou mais burros mulos e, aqui, acolá, obrigatoriamente, tinham que se “arranchar” num lugar que oferecesse comida, dormida e condições para “arriar” a carga e cuidar dos animais. Boa Saúde era um desses lugares.

No início da década de 1930, esse tipo de hospedagem ficava por conta do Senhor José Calazans Ribeiro, que tinha sua residência localizada onde atualmente existe o Clube 2 de Fevereiro, na Praça Nossa Senhora da Saúde.

Em 1935, o Senhor José Elias de Souza, conhecido como Zé Júlio, com sua família, fixou residência em uma casa localizada na Rua de Baixo, atual Heronides Câmara, onde começou, também, a oferecer “arrancho” aos tropeiros. Aos poucos, a procura foi aumentando, ao ponto dele ter que comprar uma casa maior para acomodar a quantos procurassem hospedagem.

Todos os membros da família participavam dos trabalhos da pensão, mas uma das filhas de Seu José Júlio, por nome de Maria Júlio, era quem mais se dedicava, assumindo uma das tarefas mais difíceis: auxiliar sua mãe na cozinha.

Com o falecimento de Seu José Júlio, o comando da pensão ficou sob a responsabilidade de Maria Júlio, contando com a ajuda de suas irmãs.Os anos foram se passando e mudando a clientela. O transporte de mercadorias, até então feito pelos tropeiros, passou a ser realizado pelos caminhões. A figura do tropeiro foi substituída pela do feirante, que dada a rapidez do novo meio de transporte, dispensava hospedagem durante a viagem. A pensão, que passou a ser chamada de Pensão de Maria Júlio, perdeu a clientela que lhe deu origem e viveu um período de pouca movimentação.

Anos depois, a partir de 1953, quando Boa Saúde passou a ser município, pessoas que vinham à cidade a serviço da Prefeitura, passaram a fazer parte da sua clientela, inclusive como mensalista. Outra forma de manutenção da pensão era o fornecimento de refeições nos dias de feira. E como na época não existia nenhum bar na localidade, nos dias de feira e nas principais festas não faltava uma cervejinha gelada, uma cachacinha e “tira-gostos” variados, muitas vezes ao som da sanfona de Dioclécio ou Vital.

Já se passaram mais de 65 anos, desde o início da pensão até hoje, e Maria Júlio, aos 72 anos de idade, está cansada, mas “não arredou o pé”. Continua firme, apesar da pouca frequência e das dificuldades que enfrenta.

A época dos tropeiros passou, assim como passou a dos feirantes e a das pessoas que ali se hospedavam quando a serviço da prefeitura ou por outro motivo qualquer. Muitas mudanças contribuíram para que isto acontecesse: as rodovias asfaltadas, substituíram as estradas de terra; os ônibus diários tomaram o lugar do “misto” que fazia a “linha” duas, três vezes por semana; o automóvel e o telefone encurtaram as distâncias. As coisas não são como eram antes. Os tempos não são os mesmos. Hoje, como no passado, somente o propósito e a vontade de Maria Júlio, de bem servir à comunidade.
Página 101

O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
NOSSA HISTÓRIA - O Rio Trairi

NOSSA HISTÓRIA - O Rio Trairi

O Rio Trairi

O Município e a cidade de Boa Saúde são banhados pelo Rio Trairi, que nasce na Serra do Doutor, nos municípios de Campo Redondo e Coronel Ezequiel, e deságua no Oceano Atlântico, através da Lagoa Guaraíra, no município de Nísia Floresta.

Poço da Pedra Grande no Rio Trairi
Os primeiros habitantes do povoado construíram suas casas nas proximidades do rio, se estabelecendo ali por causa dele e iniciando uma relação de convivência e de dependência.
Poço da Pedra Grande no Rio Trairí. Como todo rio periódico, o Trairi, nos anos bons de inverno, torna-se perene com as grandes enchentes. Passado o período das chuvas, o seu leito seca, ficando alguns poços, em determinados lugares, servindo para as pessoas tomarem banho e os animais beberem água. Em Boa Saúde, desde tempos remotos, existe o poço da pedra grande, onde as pessoas se banhavam diariamente, em horários destinados aos homens e às mulheres. Atualmente, o banho de rio se constitui um lazer, enquanto que no passado fazia parte da higiene , uma vez que não existia água encanada. Desde o passado, e ainda hoje, conta-se que existe uma gruta, de grandes dimensões, debaixo da pedra grande.

No período do inverno, o abastecimento das residências era feito com água de chuva “aparada” diretamente na “biqueira” ou armazenada em cisternas. O responsável pela introdução do uso da cisterna em Boa Saúde foi o Senhor Sebastião Cleodon de Medeiros, que construiu a primeira da localidade, em sua residência, servindo de exemplo para outras pessoas, que passaram a construir, também, para poder continuar bebendo água doce depois do inverno. Devido os custos de construção, poucas pessoas possuíam cisternas, e, desse modo, a maioria atendia a todas as necessidades de consumo com água salobra, retirada de cacimbas cavadas no leito do rio, carregada em barris conduzidos por jumento (foto abaixo), em “galões”, ou, ainda, em potes, cabaços e latas na cabeça. Somente depois foi que surgiram os carros pipas trazendo água doce.

As enchentes do rio eram um “acontecimento”. Movimentavam as pessoas a partir do momento em que corria a notícia: “o rio vem com água!”. Quem tinha cerca no leito do rio, ou nas suas margens, cuidava logo de desmanchar. Outra providência urgente era a retirada dos animais que estivessem pastando no leito e nas margens do rio. As pessoas cujas residências ficavam do outro lado do rio tinham que, às pressas, atravessarem em direção às suas casas.

Quando o rio começava a encher, as pessoas desciam rua abaixo, parecendo uma procissão, para ver a “cheia”, não importando a hora do dia ou da noite. Rio cheio, “de barreira a barreira”, enquanto a água não baixasse, atravessar somente a nado. Precisava ser bom nadador, como os irmãos Joaquim, Manoel e Nelson Flor, residentes em Boa Saúde e que faziam a travessia de pessoas, mercadorias e, até, defuntos.

Dependia, também, do rio a lavagem de roupa. No verão, com água salobra das cacimbas, e no inverno, com água de chuva dos tanques da pedra grande e dos lajedos do outro lado do rio. Existia uma verdadeira disputa pela água dos tanques. Quem chegava primeiro, levava vantagem, ficando com a maior quantidade de água. A roupa era lavada nos lajedos que serviam, também, para “quarar”. Depois, era secada ao sol estendida nas cercas de arame.

Outros aspectos importantes da vida da população relacionados com o rio eram a pesca e a cultura de vazante. A pesca era praticada com frequência, contribuindo para o sustento das famílias. Os principais peixes encontrados, principalmente nos poços, eram: a traíra, a curimatã, o cará, o jundiá e a piaba, pescados com tarrafa, anzol e landuá. A pesca da piaba era feita com o auxílio de uma garrafa, tendo como isca farinha de mandioca.

A cultura de vazante era realizada no leito do rio, nos períodos de estiagem. Plantava-se batata doce para o consumo das pessoas e capim para ração dos animais.

Nos dias atuais, a relação da população com o rio não é mais a mesma. Com a construção da ponte, as pessoas atravessam desapercebidas, de um lado para outro, a qualquer hora do dia ou da noite, independente do rio estar cheio ou seco. Com a chegada da água encanada as pessoas não dependem mais do rio para tomar o seu banho diário, como não dependem, também, da água salobra das cacimbas para atender a outras necessidades de consumo. A lavagem de roupa com água dos tanques é coisa do passado. A pesca e a cultura de vazante quase não existem mais. As enchentes já não chamam tanto a atenção como antigamente. Só o rio é o mesmo, com todo o seu potencial, que precisa ser preservado e explorado racionalmente.

Página 105

O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.
NOSSA HISTÓRIA - Festa da Padroeira

NOSSA HISTÓRIA - Festa da Padroeira

Festa da Padroeira em Boa Saúde

Boa Saúde vive sob a proteção de Nossa Senhora da Saúde, sua padroeira, cuja devoção, conforme já analisado, vem desde o inicio do povoado, que recebeu o nome de Boa Saúde em sua homenagem. A Festa de 02 de Fevereiro, como é conhecida, é um dos maiores acontecimentos sócio-religiosos da Região do Trairi. Dela participa gente da capital, dos municípios mais próximos e de lugares distantes, inclusive de outros Estados do Nordeste, principalmente filhos da terra ou pessoas que já residiram em Boa Saúde. É uma ocasião de reencontro de parentes e amigos.

Procissão do dia 2 de fevereiro
Durante todo o ano, as pessoas visitam a capela de Nossa Senhora da Saúde e pagam promessas. Mas é durante os dias 01 e 02 de fevereiro que milhares de devotos acorrem à cidade para participar da festa da padroeira, agradecendo graças alcançadas e pagando promessas, como: acender velas, conduzir o andor, acompanhar a procissão descalço, carregando pedra na cabeça ou vestindo trajes religiosos.

Procissão do dia 2 de fevereiro
No passado, no período da referida festa, as ruas eram enfeitadas com bandeirinhas coloridas de papel de seda. Além das celebrações religiosas, que constavam de novenas, missa e procissão, faziam-se barraca e leilão dos donativos recebidos, em benefício da igreja. Fazia parte da tradição, a queima de “fogos de vista” e “fogos do ar” (conhecidos atualmente como fogos de artifício e foguetões), que eram fabricados em São José de Mipibu, pelos fogueteiros Tota e Joca Davino, na década de 1940. Eles fabricavam, com segurança e perfeição, todos os fogos de estampido e de artifício que eram usados por ocasião das festas, em toda a Região Agreste.

Somente, há uns sessenta anos atrás foi que os bailes passaram a fazer parte da festa. O primeiro foi realizado por acaso. Segundo contam algumas pessoas daquela época, terminada uma das festas, os organizadores faziam um “apanhado” da mesma, quando passou pelo local um sanfoneiro e, então , aproveitaram para dançar. A partir desse fato, os bailes passaram a fazer parte da programação da festa.

Durante muito tempo, os bailes eram realizados, somente, depois da festa religiosa, que se encerrava com a procissão, no dia 02 de fevereiro. Tinham como local, inicialmente, o mercado, e depois, o prédio da escola, até a sua proibição nesse local pela Secretaria de Educação, na primeira metade da década de 1950, quando foi construída uma quadra descoberta para a sua realização. Construída a uns 12 metros de uma das laterais da capela, a referida quadra não contou com a aprovação do Padre Antônio Barros, vigário de São José de Mipibu, paróquia à qual pertencia a capela de Boa Saúde. Durante dois anos seguidos, o Padre Barros deixou de celebrar a missa da festa da padroeira, voltando a fazê-lo depois que a quadra foi demolida.

A construção de outra quadra, em local afastado da capela, deu origem ao “Clube 2 de Fevereiro”, contando com a participação de grande parte da comunidade, principalmente, da juventude, no final dos anos 50 e início dos anos 60, época em que a capela de Boa Saúde já pertencia à Paróquia de Serra Caiada, tendo como vigário o Padre Antônio Vilela Dantas.

A festa da beira do rio Trairi
Nos últimos trinta anos, vem ocorrendo certas mudanças na Festa de 02 de Fevereiro. Antes o programa era impresso e organizavam-se comissões que per-corriam os sítios e cidades vizinhas, divulgando o pro-grama da festa e arrecadando donativos. Havia uma participação ativa da comunidade, que se responsabilizava pela programação da festa, que, além das celebrações religiosas, constava de barraca, leilão, concurso de rainha e baile, com o objetivo de conseguir recursos para as obras da igreja, inclusive para a construção e conservação do clube. E, naquele tempo, contava-se com certas dificuldades, que não existem hoje: a bebida era comprada em Macaíba ou São José de Campestre; o gelo em barra vinha de Natal, acondicionado em saco de estopa com pó de serra; as mesas e os tamboretes eram emprestadas de outras cidades.
A festa da beira do rio Trairi
Observa-se, entretanto, que em relação à “festa de rua”, poucas mudanças ocorreram: os parques de diversões, praticamente, são os mesmos; continuam os diversos tipos de sorteios e de jogos tradicionais, como do preá e do laço; permanecem as bancas de bebidas, com “tiragostos” variados e, as de café, com várias gulozeimas, além de muitas outras, com uma infinidade de artigos. Continua, também, a vinda de grupos de prostitutas das cidades vizinhas, que se juntam num determinado local do rio e armam barracas, onde não faltam música, bebida e sexo. Uma particularidade que permanece com a denominação de “festa do rio”.

É necessário que se promova o resgate de alguns aspectos da Festa da Padroeira, que, no passado, eram muito relevantes. É de suma importância que a participação dos diversos segmentos da sociedade seja retomada, realizando atividades como barraca, leilão e festa no clube, com a renda destinada à igreja. Não é admissível que as festas particulares sejam colocadas em primeiro plano, em detrimento da Festa de Nossa Senhora da Saúde, a festa da comunidade.

Foram muitas as pessoas que fizeram parte das comissões organizadoras da Festa de 02 de Fevereiro. Lembrar de todas, uma por uma, ao longo do tempo, é impossível. Entretanto, fazemos um registro daquelas que foram lembradas por ocasião das entrevistas realizadas: José Calazans Ribeiro, Antônio Augusto de Souza, Sebastião Cleodon de Medeiros, Agenor Ferreira Xavier, Clidenor Ferreira Xavier, Otacílio Barbosa de Silva, Alexandre de Freitas, Necilda Xavier, Maria Almeida Galvão, Luíza Almeida Galvão, Aliete de Medeiros Paiva, Helena Costa, Penina Dias Vieira, Maria Bento, Manoel Ribeiro de Andrade, Maria da Salete de Lima Andrade, Maria Helena de Azevedo Barbalho, José Aldo Barbalho, José Alaí de Souza, José Aldí de Souza, Maria do Céu de Souza, Paulo de Souza, Elias Inácio, Mário Cordeiro de Oliveira, Nizardo Cleodon de Medeiros, José Ribeiro (Dedé do Correio), Antônio Urbano dos Santos, Carlos Barbosa da Silva, Célia Barbosa da Silva, Maria das Neves Barbosa da Silva, Nidarte Medeiros, Maria das Dores Alencar, Terezinha Matias e Neci Matias.
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O texto foi extraído do livro Boa Saúde: Origem e história escrito por José Alai e Maria de Deus. Algumas imagens são dos blogs que José Alai mantinha. O objetivo dessa postagem é tão somente conservar nossa história.